Política

Lula promete acabar com as bets e defende base coesa

Presidente entende necessidade de ter Senado com maior número de aliados à situação

Por Emanuelle Vanderlei - repórter / Tribuna Independente 25/09/2026 08h46 - Atualizado em 25/09/2026 09h51
Lula promete acabar com as bets e defende base coesa
Lula reforça parceria com Renan Filho, Renan Calheiros e Dr. Wanderley, e destaca ações contra bets e por desenvolvimento social e econômico - Foto: Adailson Calheiros

Em Maceió para reforçar junto ao eleitorado a sua campanha à reeleição, o presidente Lula (PT) subiu ontem (24), no palanque com os “Renans” (Filho e Calheiros), e anunciou que vai acabar com as bets e reforçou o pedido de voto nos candidatos do PT e do MDB em Alagoas. O comício aglomerou uma multidão na Praça Deodoro, no Centro de Maceió, e reforçou a associação que já vem sendo feita pela campanha de governador, de que Renan é Lula e Lula é Renan.

No ponto alto de seu discurso, Lula deu a mão o seu ex-ministro dos transportes e falou sobre sua atuação.

“Eu conheci esse menino como meu ministro, eu posso dizer para vocês é motivo de orgulho para esse país. Não é motivo de orgulho para o Renan pai, nem para a mãe dele, é motivo de orgulho para esse país ter uma personalidade com a capacidade do Renan Filho. E ele sabe que se ele for eleito governador e eu presidente, ele vai ter no Lula um parceiro para ele fazer tudo aquilo que o povo de Alagoas espera que ele vá fazer, e eu tenho certeza que ele vai fazer”.
Trabalhando para construir um Senado menos hostil ao seu governo, Lula aproveitou a visita para reforçar o pedido de voto a Renan Calheiros e Dr. Wanderley. “Tem que votar em gente do nosso time. Então depois de votar para deputado federal, deputado estadual, vocês vão votar para senador da república. Eu já tinha jantado uma vez, na eleição passada, na casa do Dr. Wanderley, nem sabia que ele era cardiologista, me tratou com muita fidalguia. E esse homem aqui [Renan Calheiros], que faz parte da própria história do Brasil”.

Repetindo calmamente, ele mencionou o número de urna de cada um dos aliados. “Todo mundo que digitar o 15, todo mundo que votar no Renanzinho, 15, vota no Renan 151. Quem votar no 151 do Renan, e votar no 15 do Renanzinho, vai votar no 156 do Dr. Wanderley. Vocês não podem votar em um senador contra”.

Justificando sua preocupação com o time de senadores, ele fala sobre a importância do cargo. “Veja, um governador não cria nenhum problema com o presidente da república, porque normalmente o Estado ele depende do Governo Federal, agora o senador não, o senador ele vira Deus com oito anos de mandato. Ele vira Deus e se ele for contra a gente ele vai atrapalhar. Quero pedir de coração para vocês, se vocês vão votar em mim, pelo amor de Deus votem nos senadores do meu time, para que eu tenha maioria e poder aprovar as coisas para vocês. Nós vamos fazer a coisa acontecer com Dr. Wanderley lá em Brasília”.

FIM DAS BETS

Trazendo elementos de sua história de vida, Lula reforçou as políticas públicas bem-sucedidas de seus Governos, como o combate à fome e os investimentos em educação, principalmente com a criação de mais universidades que em toda a história do país reunida antes de sua chegada ao governo pela primeira vez. Lula destacou o papel das mulheres na sobrevivência das famílias brasileiras, ressaltou o combate à violência de gênero e mencionou sua mãe como referência.

O presidente e candidato à reeleição se emocionou também quando falou sobre os grandes desafios que o país enfrenta atualmente, as bets (jogos de azar eletrônicos) e o endividamento da população.

“Amanhã [hoje, 25] eu vou ter alguns anúncios importantes. Na semana passada eu tive uma reunião com oito pessoas que estão endividadas. E eu descobri que essa Bet é uma doença. Eu conheci uma moça de 27 anos que ela ligava o chuveiro, fingia que estava tomando banho para o marido não ouvir ela jogando, e ela ficou devendo R$ 730 mil reais. Eu conheci um senhor que ficou devendo R$ 2 milhões, uma pessoa que tentou se matar três vezes porque estava devendo. A pessoa pensa que vai ganhar, vai apostando, apostando, e daqui a pouco a pessoa perde o que não tem. Eu conheci uma mãe que o filho de 26 anos se enforcou. Então eu queria dizer para vocês: Eu vou acabar com as bets nesse país, vou acabar com as bets antes delas acabarem com o Brasil”.

Lula se mostrou assustado com os efeitos que essa nova modalidade de jogo tem causado às famílias. “Antigamente se a pessoa quisesse jogar, tinha que anotar o nome do jacaré, da borboleta que sonhou para ir no jogo do bicho, que é proibido desde 1940. Depois as pessoas compravam bilhetes de loteria, agora não, agora o cassino está dentro da sua casa, o cassino está na mão do seu filho, na mão do seu neto, na sua mão”.

Ele falou sobre a polêmica que enfrentou ao declarar guerra a esses jogos, e criticou os clubes de futebol que emitiram nota prevendo que o fim das Bets acabaria com o futebol brasileiro.

Os times de futebol disseram que se acabar com as bets vai acabar com os times de futebol. Deixa eu contar uma coisa para vocês, o Brasil foi campeão em 58, 62, 94 1970 com o tri, e 2002. Não tinha Bet. O Santos foi campeão do mundo duas vezes, não tinha Bet. O Flamengo foi campeão, não tinha Bet. São Paulo foi três vezes, não tinha Bet, o Corinthians não tinha Bet. Depois que veio a Bet o que foi que nós ganhamos? Nada! Tomamos foi 7x1 da Alemanha, fomos desclassificados agora de forma vergonhosa”.

Confira a cobertura do TV Tribuna no link abaixo:

MACEIÓ RECEBE LULA: multidão ocupa Praça Deodoro em ato de campanha